É só nascer no Brasil pra achar que tudo quanto é malandragem é normal. Dar uma traidinha numa festa, dar uma coladinha numa prova, dar uma furadinha na fila, etc. A gente nem se assusta mais com o que vê e, por se “acostumar” com certas coisas, esquecemos quem somos, esquecemos nossos valores ensinados quando éramos crianças ainda.
Quando casei pela primeira vez, assumi esse meu “costume” da malandragem e parti a minha relação do princípio que seria traída mais cedo ou mais tarde. Assumi a “verdade” de que trair era normal entre os homens para que, em primeiro lugar, não ficasse furiosa caso algo acontecesse e, em segundo lugar, não me tornasse uma pessoa ciumenta que quisesse saber de todos os passos do marido já que a traição era inevitável.
Quando me mudei pra Europa, solteira novamente, e conheci outras culturas, percebi meu grande equívoco. Homens e mulheres infiéis existem em toda a parte do mundo, mas isso nunca poderia ser considerado uma regra para os homens europeus. Claro que não, isso é só mais um “costume” brasileiro!
Há uns dias atrás, um cara que eu fiquei na minha solteirice (e que por acaso hoje TEM namorada) estava insistindo para eu sair com ele, pelo MSN. Foram horas de conversa, porque eu, tentando não ser rude nem bloqueá-lo (até porque a minha família conhece ele e vai que eu o encontro por acaso), ficava tentando explicar a situação pra ele. Ele queria me convidar para tomar um café para que ele pudesse ME PROVAR (essas foram as palavras, daí-me paciência...) como ele é gente boa, para que possamos ser amigos “novamente”. Pausa. Novamente?? Mas eu nunca fui amiga dele!! Achei ele só bonito e simpático e quis conhecê-lo melhor na horizontal depois, pois eu andava muito tensa e meu brinquedinho de borracha não tava dando conta na época. Nem quis saber de repeteco, o cara não tinha nada a ver comigo. Eu já tava de saco cheio daquela conversa no MSN, mas fui adiante para ver no que ia dar. Perguntei pro cara o que diria pro meu marido. Que ia me encontrar com um ex-ficante? Não acho que ele fosse gostar da idéia. Daí ele me sugeriu que não dissesse nada, ou que éramos apenas amigos, sugerindo pra eu fazer escondido ou largar uma mentira (mentir é tãaaooo normal, me esqueço sempre...). Daí, eu soltei essa, morrendo de rir na frente do meu laptop: “Posso levar o meu marido, então? Tipo, se não é nada de mais, não tem por que esconder.
Acho que esse não incomoda mais.
Resumindo toda essa salada de fruta aí de cima, acho que não devemos esquecer de nossos valores. Ser sinceros com nós mesmos. Não é porque eu fui casada com um cara legal e trabalhador que eu necessariamente precisava ser feliz. Não é porque “não tem nada demais” que eu vou falar uma mentirinha. Me lembrei até do velho dono da padaria que sempre roubava no troco. Aposto que não ficou rico por causa disso, nem mais feliz. E traição...A traição, falta de respeito e outros palavrões é o começo do fim. É que alguma coisa vai muito mal. Não é “normal”.
E "Só de sacanagem", a Ana Carolina também acha.